quinta-feira, 13 de outubro de 2011

CULTURA X CURRÍCULO


“O currículo para a consolidação de uma educação emancipatória e culturalmente sensível.”
Marcos A. C. Pimentel
      
“a diversidade cultural é a riqueza da humanidade. Para cumprir sua tarefa humanista, a escola precisa mostrar aos alunos que existem outras culturas além da sua. Por isso, a escola tem que ser local, como ponto de partida, mas tem que ser internacional e intercultural, como ponto de chegada. (...) Escola autônoma significa escola curiosa, ousada, buscando dialogar com todas as culturas e concepções de mundo. Pluralismo não significa ecletismo, um conjunto amorfo de retalhos culturais. Significa sobretudo diálogo com todas as culturas, a partir de uma cultura que se abre às demais.” (Moacir Gadotti)
       Ah, essa juventude!
       Não é para desprezar a grande diversidade que encontramos em cada esquina. Jovens adolescentes com sua diversidade cultural. Trejeitos, adornos pelo corpo que virou moda entre eles dada a grande massificação dos piercing no umbigo, encravada nas orelhas, língua, nos supercílios, no nariz entre outras partes. Eis aí um jovem adolescente que carrega consigo essas características físicas e a reboque um linguajar que difere a todo o instante dada a dinamicidade dos meios de comunicações encarregados de disseminar o diferente impactante, que projeta, que coloca em evidência as práticas que gerarão um novo mercado de consumo. É desse jovem que ainda na adolescência que opta por querer ser professor ou professora que queremos refletir. Esse ser que ainda adolescente é aprovado para entrar em sala de aula e passar conhecimentos que por sua vez teve como seu professor outro que não coaduna com o seu tempo; com as suas características culturais, que a todo o momento é alvo de sedução por ser ele um produto ainda a ser alcançado, pois dele poderá extrair e incutir idéias mais inovadoras.
         A Organização Mundial da Saúde classifica a adolescência dentro da faixa etária entre 10 e 19 anos, já o Estatuto da Criança e do Adolescente classifica a adolescência a faixa etária que vai de 12 até os 18 anos, onde acontecem diversas mudanças físicas, psicológicas e comportamentais. Outras classificações são feita como, por exemplo, este parâmetro já apresentado, contudo indo até 20 anos e dividido em três distintas etapas: a pré puberdade onde se dá a aceleração abrupta no crescimento; a puberdade marcada pelo crescimento dos órgãos reprodutores e onde o lado emocional é muito confuso e a pós-puberdade entre quinze e vinte anos onde a cobrança à responsabilidade será intensamente cobrada e as escolhas sobre sua situação profissional, entre outras nortearão a vida neste final de fase de vida.
       Temos aí um indivíduo que diante de tanta transformação interna (involuntária) e externa (também involuntária dada a sua formação no meio social) vê-se diante de dilemas a serem dirimidos.
       Fica então para nossa reflexão a pergunta inquietante e incessante: Qual o currículo a ser empregado em sala de aula? Como levar este adolescente a tornar-se autocrítico?
       Não se pode atribuir à escola todo o conhecimento adquirido pelo adolescente. No meio social em que nasce e cresce interagindo com integrantes da família e vizinho - que são geralmente seus primeiros agentes de interação - o adolescente adquire saberes que só é comum àquele meio. Assim quando ele chega à escola tem conhecimentos de muitas regras, conceitos, preceitos, no entanto, hoje a escola chamou para si esta responsabilidade. Sabedor que o adolescente ao chegar à escola com conhecimentos diversos fruto da cultura do meio em que vive o educador deverá conciliar o currículo estabelecido e a sua cultura.
       É o currículo que se apresenta na forma escrita, como uma norma a ser seguida pelos professores, geralmente apresentando fundamentação teórica, concepção pedagógica apontando formas de ensinar, incentivando alguns procedimentos e desaconselhando outras.
      É comum ver que ao final de um período escolar tal currículo apresentado no início já está impregnado de fazeres diversos como reforços de condutas racistas, sexistas, elitista etc; São domesticados emoções, desejos e a regulação das situações e possibilidades de afeto entre outros que dependendo do grupo formado e das condições sociais do momento o currículo terá que dar lugar à alguma aplicação extra que viabilize, por exemplo, apaziguar possíveis conflitos de violência que esteja acontecendo.
     Uma resistência natural aos currículos impostos pelas redes de ensino público dá-se pela grande complexidade da diversificação de culturas de várias localidades. Como já dissemos anteriormente a cada instante o adolescente é levado a adaptar-se ao modismo, pois se assim não o fizer estará fadado a exclusão do grupo a que pertence. Pais e professores responsáveis pela educação deste jovem vêem-se, muitas vezes impotente para driblar as mazelas criadas por eles dadas as influências externas e a necessidade que tem em ser incluído no grupo. Esse modismo nada mais é do que a cultura desse grupo que teima a todo instante mudar. Então se muda o currículo para adaptar-se aos novos fazeres desses alunos adolescentes. Ressalta-se, no entanto que o currículo não mudará com tanta destreza/rapidez como muda a cultura do jovem, pois a dinâmica das relações sociais dá-se mais rapidamente Neste sentido um currículo cristalizado de pouco ou nada valeria se não levasse em conta a cultura juvenil e todo o seu dinamismo e complexidade. No entanto vale ressaltar que esse dinamismo pode variar no sentido do que se quer com a sua rápida ou sua lenta assimilação.
      Por isso o currículo deve levar em conta os traços culturais do indivíduo e toda sua história: as descendências étnicas e culturais, os gêneros humanos; orientações sexuais; status social e poder aquisitivo; as dificuldades e interações apresentadas pelos portadores de necessidades especiais: as etnias; os diferentes grupos de convívios e ambientes culturais de adolescentes e jovens; orientações religiosas; os padrões estéticos e aspectos físicos de cada indivíduo dentro de sala de aula. As instituições escolares poderão ainda promover situações de interação, onde a presença de diferenças se manifeste e seja enfrentada nas suas diferentes conjunturas e representações. E mais: os conteúdos, ao expressar experiência social acumulada, devem também contemplar as experiências da diversidade de ambientes culturais das alunas e alunos para orientar as atividades pedagógicas em sala de aula.
     Nesse sentido as instituições escolares são ambientes multiculturais onde deverão ser trabalhados os diálogos entre as diversas culturas. O convívio dos alunos e alunas assim como entre o professor e os alunos deverão ser de harmonia cultural. O professor de posse dos conhecimentos e conflitos existente entre adolescentes que querem se auto-afirmarem existente nas escolas trabalhará os fazeres culturais do aluno e toda sua teia de conhecimentos adquiridos em diversas mídias, quebrando as corrente culturais existentes e atando-as uma às outras entre esses grupos de jovens.
      O professor deverá levar em conta que os adolescentes que freqüentam as instituições escolares expressam a sua cultura vivida e são portadores de saberes produzidos em seus grupos de convívios. Estes saberes, comumente, guardam em si muito da experiência vivida. Assim as tradições míticas e folclóricas estarão presentes nos fazeres destes adolescentes e trazem à sala de aula produtos da indústria cultural veiculados pela cultura de massas assim como saberes acessados em diferentes pontos das mídias. O acesso a internet, os vídeos games, permite que o indivíduo ao acessá-los se interesse pelos modos de como são feitos, lê suas regras, os seus passos-a-passos de como acessar, as viabilidades de acesso e as percepções de que existem várias maneiras de se escolher caminhos para se chegar a vários lugares, entre outros; a televisão que exibe diferentes tipos de acesso em função da variedade de oferta de programas; As mídias impressas e sites da Internet veiculam publicações, assim como rádios e canais de televisão produzem programas dirigidos a adolescentes que acessados por alguns, são transmitidos oralmente para vários outros.
      É nessa perspectiva que a identidade de adolescentes não pode ser desprezada e nem desqualificada pela instituição escolar, pois tais expressam padrões de convívios, que articulam valores, condutas e linguagens que podem assegurar harmonias ou conflitos se não forem bem trabalhados.
        Como vimos não dá para se fechar num currículo e fazer de conta que as pessoas têm a mesma cultura e delas usufruem passivamente.
       Então o educador dobrará sua atenção, pois o caminho a ser percorrido terá que ser o de conciliação.
      Outra particularidade que nos chama a atenção são os diálogos que podem ser o cerne das divergências. Uma frase, um apelido, uma explicação, um olhar que pode significar algumas palavras numa determinada comunidade pode ser interpretada de uma forma diferente na outra. Como as atitudes, as regras, a forma de saudar podem ser diferentes. Detectado essas anomalias o educador se utilizará de ferramentas que podem partir de uma simples conversa e ir até um projeto que enfatize as divergências existentes.   
      As propostas curriculares não podem ser “engessadas”. As instituições, seja ela pública ou particular, deverão impregná-las de possibilidades onde o educador terá mobilidade para viabilizar o ensino para esses jovens conforme cada grupo que se formam ano após ano e momento após momento dado a dinâmica que os acontecimentos se dão em nossos dias.
     O educador por sua vez deverá se empenhar em ter a sensibilidade e convicção daquilo que pretende passar aos seus educando para que não se perca em suas próprias palavras ou caia no vazio não tendo a certeza daquilo que se quer fazer. É importante ao educador se questionar ao planejar uma estratégia de intervenção: pra quê?  Pra quem? Por quê? Devem permear a vida profissional do educador.
      Outro aspecto a ser considerado é do próprio estado físico que é constituído a escola. As suas dependências e critérios de utilização são diferentes em cada região. E para ser mais específico, muda de uma entidade para outras. Cultura do uso das instalações que se modificam agindo sobre o indivíduo que terá que conjugar as várias formas dos fazeres e o seu desprendimento em relação ao ensino. Tais especificidades é bem visíveis quando o indivíduo é transferido de uma escola para outra. Mas para ser mais claro tomamos como exemplo o filme “O Jarro”. É de extrema diferenciação o comportamento do professor e dos jovens alunos e de seus pais por conta de um vasilhame de água importante para o funcionamento da escola. Todo um drama é vivido desde a sua quebra, a sua nova aquisição e o seu transporte, pois a necessidade deste utensílio era de fundamental importância para o funcionamento da escola.
      Fomos ao Irã na captura de um exemplo, mas debaixo de nossos olhos estão ocorrendo outras necessidades que não percebemos e que fazem parte ou que serão inseridos no cotidiano do aluno.
      Outro aspecto a ser considerado pelo educador diz respeito ao que ele fala ou dar exemplos, pois o que parece corriqueiro a um, não se traduz em nada para o outro. Nessa percepção que traduz os fazeres dos alunos é que deverá traçar uma linha de pensamento que englobe toda cultura existente em sala de aula de modo que todos possam ser atingidos por sua fala.
      Exemplo simples é quando o professor cita alguma passagem em filme, novela, etc... Que foi exibido no canal de televisão “X”. Pode ser que nem todos tenham a cultura de assistir novelas ou filme na televisão ou não têm o aparelho em casa. Logo a sua fala é vã. Não conseguiu unir as várias formas de culturas existentes em sala de aula.
      Nesse sentido é que devemos pensar na necessidade de se reinventar a escola, local de conflitos sim, de experiências e conciliação que pode englobar fazeres diversos sim, mas torná-lo um local de negociação e troca de conhecimentos pode e deve ser o objetivo primeiro de quem cogita dela fazer o seu lócus de aprendizado.

      A escola está chamada a ser, nos próximos anos, mais do que um lócus de apropriação do conhecimento socialmente relevante, o científico, um espaço de diálogo entre diferentes saberes científicos, social, escolar, etc. – e linguagens. De análises crítica, estímulo ao exercício da capacidade reflexiva e de uma visão plural e histórica do conhecimento, da ciência, da tecnologia e das diferentes linguagens. (CANDAU, ano? p.14)

      Assim se prosseguirmos os exemplos seriam intermináveis, mas os olhares atentos do educador terão que transpor as barreiras impostas pela cultura diversificada. Se não unindo ao menos conciliando de maneira harmônica os saberes diversos dentro de uma sala de aula.
      Aos que se propõem a elaborar um currículo que o façam com sensibilidade e deixando sempre margens à inserção de novos fazeres dada a diversidade cultural encontrada em sala de aula e que poderá ser trabalhada em beneficio de todos.
       Ampliando a discussão, em respeito ao fragmento textual de Moacir Gadotti no início desse artigo, é pertinente reafirmar que a discussão pode e deve ampliar para âmbito internacional. Aliás, já é lei onde se insere a cultura africana no currículo escolar.  Lei nº 10.639, de 9 de janeiro de 2003, que "altera a Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, onde se insere "estudo da História da África e dos africanos, a luta dos negros no Brasil, a cultura negra brasileira e o negro na formação da sociedade nacional, resgatando a contribuição do povo negro nas áreas social, econômica e política pertinentes à História do Brasil" (art. 26-A, § 1º).
       Assim particularizar a questão do adolescente no ensino escolar e seus conflitos é de suma importância, mas não esquecer que os conflitos multiculturais transcendem fronteiras e que também devem ser compreendida como indispensáveis para entender as culturas locais.

 
REFERÊNCIA
CANDAU, V. M. ano? p. 14.
SILVA, Tomás Tadeu. “Documentos de Identidade: uma introdução às teorias do currículo”. Belo Horizonte; Autêntica, 2002. p. 85-90.
CORDIOLlI, Marcos. Disponível em http://www.adolescencia.org.br/portal_2005/secoes/saiba/saiba_mais_corpo.asp?secao=saiba&tema=corpo. Acessado em 7/10/2010 às 21:35h.
MOREIRA, Antonio Flavio Barbosa. Currículo, diferença cultural e diálogo. Educ. Soc. [online]. 2002, vol.23, n.79, pp. 15-38. ISSN 0101-7330.

sábado, 22 de janeiro de 2011

CULTURA X CURRÍCULO


“O currículo para a consolidação de uma educação emancipatória e culturalmente sensível.”
Marcos A. C. Pimentel
      
“a diversidade cultural é a riqueza da humanidade. Para cumprir sua tarefa humanista, a escola precisa mostrar aos alunos que existem outras culturas além da sua. Por isso, a escola tem que ser local, como ponto de partida, mas tem que ser internacional e intercultural, como ponto de chegada. (...) Escola autônoma significa escola curiosa, ousada, buscando dialogar com todas as culturas e concepções de mundo. Pluralismo não significa ecletismo, um conjunto amorfo de retalhos culturais. Significa sobretudo diálogo com todas as culturas, a partir de uma cultura que se abre às demais.” (Moacir Gadotti)
       Ah, essa juventude!
       Não é para desprezar a grande diversidade que encontramos em cada esquina. Jovens adolescentes com sua diversidade cultural. Trejeitos, adornos pelo corpo que virou moda entre eles dada a grande massificação dos piercing no umbigo, encravada nas orelhas, língua, nos supercílios, no nariz entre outras partes. Eis aí um jovem adolescente que carrega consigo essas características físicas e a reboque um linguajar que difere a todo o instante dada a dinamicidade dos meios de comunicações encarregados de disseminar o diferente impactante, que projeta, que coloca em evidência as práticas que gerarão um novo mercado de consumo. É desse jovem que ainda na adolescência que opta por querer ser professor ou professora que queremos refletir. Esse ser que ainda adolescente é aprovado para entrar em sala de aula e passar conhecimentos que por sua vez teve como seu professor outro que não coaduna com o seu tempo; com as suas características culturais, que a todo o momento é alvo de sedução por ser ele um produto ainda a ser alcançado, pois dele poderá extrair e incutir idéias mais inovadoras.
         A Organização Mundial da Saúde classifica a adolescência dentro da faixa etária entre 10 e 19 anos, já o Estatuto da Criança e do Adolescente classifica a adolescência a faixa etária que vai de 12 até os 18 anos, onde acontecem diversas mudanças físicas, psicológicas e comportamentais. Outras classificações são feita como, por exemplo, este parâmetro já apresentado, contudo indo até 20 anos e dividido em três distintas etapas: a pré puberdade onde se dá a aceleração abrupta no crescimento; a puberdade marcada pelo crescimento dos órgãos reprodutores e onde o lado emocional é muito confuso e a pós-puberdade entre quinze e vinte anos onde a cobrança à responsabilidade será intensamente cobrada e as escolhas sobre sua situação profissional, entre outras nortearão a vida neste final de fase de vida.
       Temos aí um indivíduo que diante de tanta transformação interna (involuntária) e externa (também involuntária dada a sua formação no meio social) vê-se diante de dilemas a serem dirimidos.
       Fica então para nossa reflexão a pergunta inquietante e incessante: Qual o currículo a ser empregado em sala de aula? Como levar este adolescente a tornar-se autocrítico?
       Não se pode atribuir à escola todo o conhecimento adquirido pelo adolescente. No meio social em que nasce e cresce interagindo com integrantes da família e vizinho - que são geralmente seus primeiros agentes de interação - o adolescente adquire saberes que só é comum àquele meio. Assim quando ele chega à escola tem conhecimentos de muitas regras, conceitos, preceitos, no entanto, hoje a escola chamou para si esta responsabilidade. Sabedor que o adolescente ao chegar à escola com conhecimentos diversos fruto da cultura do meio em que vive o educador deverá conciliar o currículo estabelecido e a sua cultura.
       É o currículo que se apresenta na forma escrita, como uma norma a ser seguida pelos professores, geralmente apresentando fundamentação teórica, concepção pedagógica apontando formas de ensinar, incentivando alguns procedimentos e desaconselhando outras.
      É comum ver que ao final de um período escolar tal currículo apresentado no início já está impregnado de fazeres diversos como reforços de condutas racistas, sexistas, elitista etc; São domesticados emoções, desejos e a regulação das situações e possibilidades de afeto entre outros que dependendo do grupo formado e das condições sociais do momento o currículo terá que dar lugar à alguma aplicação extra que viabilize, por exemplo, apaziguar possíveis conflitos de violência que esteja acontecendo.
     Uma resistência natural aos currículos impostos pelas redes de ensino público dá-se pela grande complexidade da diversificação de culturas de várias localidades. Como já dissemos anteriormente a cada instante o adolescente é levado a adaptar-se ao modismo, pois se assim não o fizer estará fadado a exclusão do grupo a que pertence. Pais e professores responsáveis pela educação deste jovem vêem-se, muitas vezes impotente para driblar as mazelas criadas por eles dadas as influências externas e a necessidade que tem em ser incluído no grupo. Esse modismo nada mais é do que a cultura desse grupo que teima a todo instante mudar. Então se muda o currículo para adaptar-se aos novos fazeres desses alunos adolescentes. Ressalta-se, no entanto que o currículo não mudará com tanta destreza/rapidez como muda a cultura do jovem, pois a dinâmica das relações sociais dá-se mais rapidamente Neste sentido um currículo cristalizado de pouco ou nada valeria se não levasse em conta a cultura juvenil e todo o seu dinamismo e complexidade. No entanto vale ressaltar que esse dinamismo pode variar no sentido do que se quer com a sua rápida ou sua lenta assimilação.
      Por isso o currículo deve levar em conta os traços culturais do indivíduo e toda sua história: as descendências étnicas e culturais, os gêneros humanos; orientações sexuais; status social e poder aquisitivo; as dificuldades e interações apresentadas pelos portadores de necessidades especiais: as etnias; os diferentes grupos de convívios e ambientes culturais de adolescentes e jovens; orientações religiosas; os padrões estéticos e aspectos físicos de cada indivíduo dentro de sala de aula. As instituições escolares poderão ainda promover situações de interação, onde a presença de diferenças se manifeste e seja enfrentada nas suas diferentes conjunturas e representações. E mais: os conteúdos, ao expressar experiência social acumulada, devem também contemplar as experiências da diversidade de ambientes culturais das alunas e alunos para orientar as atividades pedagógicas em sala de aula.
     Nesse sentido as instituições escolares são ambientes multiculturais onde deverão ser trabalhados os diálogos entre as diversas culturas. O convívio dos alunos e alunas assim como entre o professor e os alunos deverão ser de harmonia cultural. O professor de posse dos conhecimentos e conflitos existente entre adolescentes que querem se auto-afirmarem existente nas escolas trabalhará os fazeres culturais do aluno e toda sua teia de conhecimentos adquiridos em diversas mídias, quebrando as corrente culturais existentes e atando-as uma às outras entre esses grupos de jovens.
      O professor deverá levar em conta que os adolescentes que freqüentam as instituições escolares expressam a sua cultura vivida e são portadores de saberes produzidos em seus grupos de convívios. Estes saberes, comumente, guardam em si muito da experiência vivida. Assim as tradições míticas e folclóricas estarão presentes nos fazeres destes adolescentes e trazem à sala de aula produtos da indústria cultural veiculados pela cultura de massas assim como saberes acessados em diferentes pontos das mídias. O acesso a internet, os vídeos games, permite que o indivíduo ao acessá-los se interesse pelos modos de como são feitos, lê suas regras, os seus passos-a-passos de como acessar, as viabilidades de acesso e as percepções de que existem várias maneiras de se escolher caminhos para se chegar a vários lugares, entre outros; a televisão que exibe diferentes tipos de acesso em função da variedade de oferta de programas; As mídias impressas e sites da Internet veiculam publicações, assim como rádios e canais de televisão produzem programas dirigidos a adolescentes que acessados por alguns, são transmitidos oralmente para vários outros.
      É nessa perspectiva que a identidade de adolescentes não pode ser desprezada e nem desqualificada pela instituição escolar, pois tais expressam padrões de convívios, que articulam valores, condutas e linguagens que podem assegurar harmonias ou conflitos se não forem bem trabalhados.
        Como vimos não dá para se fechar num currículo e fazer de conta que as pessoas têm a mesma cultura e delas usufruem passivamente.
       Então o educador dobrará sua atenção, pois o caminho a ser percorrido terá que ser o de conciliação.
      Outra particularidade que nos chama a atenção são os diálogos que podem ser o cerne das divergências. Uma frase, um apelido, uma explicação, um olhar que pode significar algumas palavras numa determinada comunidade pode ser interpretada de uma forma diferente na outra. Como as atitudes, as regras, a forma de saudar podem ser diferentes. Detectado essas anomalias o educador se utilizará de ferramentas que podem partir de uma simples conversa e ir até um projeto que enfatize as divergências existentes.    
      As propostas curriculares não podem ser “engessadas”. As instituições, seja ela pública ou particular, deverão impregná-las de possibilidades onde o educador terá mobilidade para viabilizar o ensino para esses jovens conforme cada grupo que se formam ano após ano e momento após momento dado a dinâmica que os acontecimentos se dão em nossos dias.
     O educador por sua vez deverá se empenhar em ter a sensibilidade e convicção daquilo que pretende passar aos seus educando para que não se perca em suas próprias palavras ou caia no vazio não tendo a certeza daquilo que se quer fazer. É importante ao educador se questionar ao planejar uma estratégia de intervenção: pra quê?  Pra quem? Por quê? Devem permear a vida profissional do educador.
      Outro aspecto a ser considerado é do próprio estado físico que é constituído a escola. As suas dependências e critérios de utilização são diferentes em cada região. E para ser mais específico, muda de uma entidade para outras. Cultura do uso das instalações que se modificam agindo sobre o indivíduo que terá que conjugar as várias formas dos fazeres e o seu desprendimento em relação ao ensino. Tais especificidades é bem visíveis quando o indivíduo é transferido de uma escola para outra. Mas para ser mais claro tomamos como exemplo o filme “O Jarro”. É de extrema diferenciação o comportamento do professor e dos jovens alunos e de seus pais por conta de um vasilhame de água importante para o funcionamento da escola. Todo um drama é vivido desde a sua quebra, a sua nova aquisição e o seu transporte, pois a necessidade deste utensílio era de fundamental importância para o funcionamento da escola.
      Fomos ao Irã na captura de um exemplo, mas debaixo de nossos olhos estão ocorrendo outras necessidades que não percebemos e que fazem parte ou que serão inseridos no cotidiano do aluno.
      Outro aspecto a ser considerado pelo educador diz respeito ao que ele fala ou dar exemplos, pois o que parece corriqueiro a um não se traduz em nada para o outro. Nessa percepção que traduz os fazeres dos alunos é que deverá traçar uma linha de pensamento que englobe toda cultura existente em sala de aula de modo que todos possam ser atingidos por sua fala.
      Exemplo simples é quando o professor cita alguma passagem em filme, novela, etc... Que foi exibido no canal de televisão “X”. Pode ser que nem todos tenham a cultura de assistir novelas ou filme na televisão ou não têm o aparelho em casa. Logo a sua fala é vã. Não conseguiu unir as várias formas de culturas existentes em sala de aula.
      Nesse sentido é que devemos pensar na necessidade de se reinventar a escola, local de conflitos sim, de experiências e conciliação que pode englobar fazeres diversos sim, mas torná-lo um local de negociação e troca de conhecimentos pode e deve ser o objetivo primeiro de quem cogita dela fazer o seu lócus de aprendizado.

      A escola está chamada a ser, nos próximos anos, mais do que um lócus de apropriação do conhecimento socialmente relevante, o científico, um espaço de diálogo entre diferentes saberes científicos, social, escolar, etc. – e linguagens. De análises crítica, estímulo ao exercício da capacidade reflexiva e de uma visão plural e histórica do conhecimento, da ciência, da tecnologia e das diferentes linguagens. (CANDAU, ano? p.14)

      Assim se prosseguirmos os exemplos seriam intermináveis, mas os olhares atentos do educador terão que transpor as barreiras impostas pela cultura diversificada. Se não unindo ao menos conciliando de maneira harmônica os saberes diversos dentro de uma sala de aula.
      Aos que se propõem a elaborar um currículo que o façam com sensibilidade e deixando sempre margens à inserção de novos fazeres dada a diversidade cultural encontrada em sala de aula e que poderá ser trabalhada em beneficio de todos.
       Ampliando a discussão, em respeito ao fragmento textual de Moacir Gadotti no início desse artigo, é pertinente reafirmar que a discussão pode e deve ampliar para âmbito internacional. Aliás, já é lei onde se insere a cultura africana no currículo escolar.  Lei nº 10.639, de 9 de janeiro de 2003, que "altera a Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, onde se insere "estudo da História da África e dos africanos, a luta dos negros no Brasil, a cultura negra brasileira e o negro na formação da sociedade nacional, resgatando a contribuição do povo negro nas áreas social, econômica e política pertinentes à História do Brasil" (art. 26-A, § 1º).
       Assim particularizar a questão do adolescente no ensino escolar e seus conflitos é de suma importância, mas não esquecer que os conflitos multiculturais transcendem fronteiras e que também devem ser compreendida como indispensáveis para entender as culturas locais.

 
REFERÊNCIA
CANDAU, V. M. ano? p. 14.
SILVA, Tomás Tadeu. “Documentos de Identidade: uma introdução às teorias do currículo”. Belo Horizonte; Autêntica, 2002. p. 85-90.
CORDIOLlI, Marcos. Disponível em http://www.adolescencia.org.br/portal_2005/secoes/saiba/saiba_mais_corpo.asp?secao=saiba&tema=corpo. Acessado em 7/10/2010 às 21:35h.
MOREIRA, Antonio Flavio Barbosa. Currículo, diferença cultural e diálogo. Educ. Soc. [online]. 2002, vol.23, n.79, pp. 15-38. ISSN 0101-7330.
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_pdf&pid=S0101-73302002000300003&lng=en&nrm=iso&tlng=pt

BLOGS INTERESSANTES

ACESSEM:

curtindo-avida.blogspot.com
itaitindiba.blogspot.com

sábado, 13 de novembro de 2010

Curso para professores de escolas públicas

A Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas iniciou o processo de inscrições para cursos de formação continuada para profissionais que queiram trabalhar com jovens e adultos na prevenção do uso indevido, atenção e reinserção de usuários e dependentes de drogas.

Os cursos são ofertados gratuitamente na modalidade de Educação a Distância e tem duração de três meses. Os inscritos recebem todo o material didático no endereço residencial e passam a ter acesso ao ambiente virtual de aprendizagem com acompanhamento de tutores, que também poderão ser acessados por telefone 0800.

Ao final do curso, os concluintes recebem um certificado de Extensão Universitária, emitido pela Instituição de Ensino Superior executora do curso.

Para saber mais sobre os cursos e fazer sua inscrição clique no curso de seu interesse: SUPERA (Sistema para Detecção do Uso Abusivo e Dependência de Substâncias Psicoativas: Encaminhamento, Intervenção Breve, Reinserção Social e Acompanhamento), Capacitação para Conselheiros e Lideranças Comunitárias, Curso para juízes, servidores e colaboradores do Poder Judiciário e curso de Prevenção para Educadores da Escola Pública.

Participe!

sábado, 21 de agosto de 2010

Lei de imprensa. Contra ou a favor?

Como não freiar a imprensa quando ela emite opinião sobre um fato e o acusado quer se preservar para falar em juízo e a imprensa diz que "entramos em contato com o acusado e ele não retornou a ligação". Ora, como uma instituição tem o direito de entrar na vida de uma pessoa levantar suspeitas e depois ficar provado que nada existia contra ele e simplesmente não falar mais nada. Vide o caso do jogador Adriano que foi absolvido de todas as acusações e pouco foi noticiado à respeito. Ficaríamos a exemplificar fatos e fatos que diariamente que a imprensa em geral noticia.
Quantos políticos que não rezam na cartilha da Rede Globo, por exemplo, e dela recebe as mais malévolas notícias. Quantas vezes ela já tentou denegrir a imagem da Rede Record e só não conseguiu, pois recebeu o troco à altura. Já a Rede Manchete não teve tanta sorte por parte dessa emissora.
Muitas pessoas são constantemente vilipendiada por todas as mídias e não tem o mesmo tratamento quando é provado ao contrário.
É preciso dar um basta nisso!
Apóie a censura a imprensa por um país mais justo e democrático.
Vivi a época da ditadura. O que vejo hoje é outra forma de excessão. quando um órgão de comunicação não gosta de determinado sujeito (político, etc) ou não tem interesse em preservar sua imagem não poupa discursos que denigrem a sua honra. Entidades e empresas que não fazem propaganda com suas respectivas emissoras também são alvos de discursos negativos enquantos as que lhe são "bem vista" nada ouvimos ou vemos a respeito. Isso é ou não é também uma ditadura?

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Movimento Pró Criança

O Movimento Pró Criança está precisando de voluntários de Pedagogia e Educação física. Seguem informações sobre o projeto, quem puder ajudar pode entrar em contato pelo endereço e telefones abaixo.


O que é o Movimento Pró-Criança?

É uma ação social da Igreja São Pedro de Alcântara, com o objetivo de assistir e encaminhar, através de atividades religiosas, educacionais e sociais, crianças carentes, contribuindo para o desenvolvimento de hábitos e atitudes saudáveis para a sua vida pessoal , familiar e social.

Ações que realiza:

Alimentação ( afé da manhã, almoço e lanche)

Religiosa ( educação Religiosa)

Educacional ( reforço escolar, informática, artes e recreação)

Psicológica ( atendimento individual, psicoterapia em grupo e atendimento às famílias das crianças assistidas)

Cultura ( esportes)

Pedagógica ( acompanhamento individual com psicopedagogas)

Odontológica ( tratamento dentário e palestras preventivas

O movimento Pró-Criança de Alcântara foi fundado em 13 de fevereiro de 1995, através da perseverança e confiança em Deus do nosso abençoado Padre Antônio Revers.

Como Funciona:

Dias: 2ª a 6ª feira

Horário: 7:30 às 17:00 hs

Endereço: Rua: Nestor Pinto Alves, 521- Vila Três- SG

Telefone: (21) 2701-1229

sexta-feira, 27 de março de 2009

Procura-se professor de informática

Queridos,

Surgiu uma vaga no Colégio Mopi bem bacana: a de professor de informática.

O perfil tem que ser de alguém que tenha know how na área de novas mídias e integração das mesmas com o currículo da escola. Preferencialmente, pedagogia.

Melhor ainda se já tiver prática com alunos de diversas idades. É pra dar aula no Mopi da Tijuca e Barra.

Please, mandem-me currículos e indicações para o meu e-mail pessoal:

kellyrussobr@yahoo.com.br

terça-feira, 10 de março de 2009

Inscrições Abertas

A ONG BemTV - Educação e Comunicação, de Niterói, abriu inscrições para o curso de vídeo digital e de programação para linguagem web!

Interessados podem encontrar informações no site:

www.bemtv.org.br

ou pelo telefone: (21) 36041500

segunda-feira, 9 de março de 2009

E por falar em mídia

Coloco aqui uma notícia interessante: no dia seis de fevereiro começou a tomar forma a primeira Conferência Nacional de Comunicação, reivindicação histórica dos movimentos pela democratização da comunicação.

A Comissão Nacional Pró-Conferência deliberou quais entidades serão indicadas para integrar a organização do evento. Entre elas está o Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), um dos principais atores na mobilização pela Conferência.

Além do FNDC serão indicados o Conselho Federal de Psicologia (CFP), a Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitárias (Abraço), a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e o Movimento Negro Unificado, entre outras entidades.

A Comissão irá sugerir como tema central para o debate na Conferência a idéia de que "as comunicações são meios para a construção dos direitos e da cidadania".

E cadê o pessoal da educação? Será que não estamos, mais uma vez, deixando de lado essa discussão?

domingo, 8 de março de 2009

mídia e consumo infantil

Só uma pílula sobre um assunto que rende muita discussão.

Hoje no O Globo, saiu uma matéria sobre a possibilidade de uma agência nacional passar a acompanhar e multar empresas alimentícias que incentivam crianças a consumirem alimentos com alto teor de açúcar, sal e gorduras trans.

Elas são acusadas de irresponsabilidade por relacionar de forma direta personagens de desenhos animados à seus produtos, por incluir jogos e brinquedos para colecionar, entre outros artifícios que seduzem as crianças.

A matéria também discute a relação da mídia com a criança, e pelo que li, o jornalista coloca muita ênfase na imagem da criança como uma vítima-passiva frente às produções publicitárias.

Por outro lado, recentes pesquisas com crianças feitas pelo Departamento de Educação da PUC-Rio, contradizem tais argumentos: as crianças são bem mais inteligentes do que esse discurso parece acreditar, e elas costumam driblar a publicidade de acordo com os seus próprios interesses.

Acho um debate difícil, mas deixo aqui um convite para a nossa reflexão.

O que vocês acham?

sexta-feira, 6 de março de 2009

Quadro de avisos

Oi, gente.

Sei que o movimento anda lento por aqui, mas tenho uma proposta: que tal "pendurarmos" avisos de cursos, atividades culturais interessantes ou indicações de grupos que atuem com a temática mídia educação?

Sei que na UERJ é final de temporada (período longo esse, não?), mas agora em março começam a ser divulgados cursos em diferentes instituições e o próprio projeto Cinema Paraíso na FFP, do qual faço parte, vai recomeçar em abril com novas possibilidades de curso.

A idéia é termos um curso de roteiro, um curso de edição, outro curso de produção audiovisual ou um curso de animação. Todos aconteceriam na própria FFP, duas vezes por semana, no horário tarde/noite.

O que vocês acham? Teriam interesse em algum tema em particular?

Aguardo sugestões.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

A internet e as pesquisas escolares

Conversando com algumas amigas professoras sobre as facilidades de acesso a informação a partir da internet, nos deparamos com a seguinte questão: ultimamente as pesquisas escolares tem se resumido a recorte e colagem. Adquirir a informação ficou bem mais fácil, mas precisamos ensinar nossos alunos a pesquisarem.
E você, o que pensa a respeito? Quando faz pesquisas pela internet se sente tentado ao "recorte e colagem"? O que acha que nós professores podemos fazer para melhorar as pesquisas de nossos alunos?

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

recadinho

Gente,

as notas já estão na porta do laboratório,
as provas feitas no papel almaço, estão no departamento,
as provas feitas no computador, é só pedir que envio por e-mail.

abraço e até uma próxima oportunidade de encontro.